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PalavrArdente

SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, maio 30, 2005

5:49 da tarde -


(1885-1963)


"Choram os padres que a religião leva más andanças e eu o creio. Os templos por esse mundo estão às moscas. E também vos digo, baixinho que ninguém nos ouça, eu sou o último cá na terra a ter medo do inferno. Sabem os meus fidalgos, eu só queria um dia ser rei. Um dia não era cabonde; mas uma semana. Se fosse rei uma semana, afianço-lhes que mondava Portugal. Uma fogueira em cada oiteiro para os ministros, os juízes, os escrivães e os doutores de má sorte. Para este decretava ainda cova bem funda, com obrigação da cada homem honrado lhes pôr um matacão em cima. Uma choldra de ladrões. Imaginem Vossorias que um pobre já nem uma bestinha pode ter! Muito tempo conservei aquele cavalito fouveiro - lembram-se?- para me ajudar a espairecer saudades dos tempos em que corria de almocreve Ceca e Meca e olivais de Santarém. Vai senão quando António Malhadas salta de lá com nove tostões de sumptuária. Irra, novecentos reis por um cavalicoque, um chincharavelho que não valia, a bem dizer, os guizos de um gato! Raios partam o governo mailos governados, raios partam tanto tributo com que a gente de bem tem de ustir para andar aí meia dúzia de figurões, de costa direita, mais farófias que pitos calçudos! Raios partam! O Governo é um corpo de guarda que nos defende ou é a quadrilha de olho vivo que não faz senão roubar? Quem lhe encomendou o sermão?!"

Aquilino Ribeiro*
" O malhadinhas" ( 1922)


*"É um dos romancistas mais fecundos da primeira metade deste século. Inicia a sua obra em 1913 com os contos de Jardim das Tormentas e com o romance A Via Sinuosa, 1918, e mantém a qualidade literária na maioria dos seus textos, publicados com regularidade e êxito junto do público e da crítica.Andam Faunos pelos Bosques, 1926, A Casa Grande de Romarigães, 1957, O Malhadinhas e Quando os Lobos Uivam, 1958, representam tendências constantes da sua ficção: um regionalismo que é apego à terra campesina e às suas gentes, sem perder universalidade nos seus caracteres e descrições; uma ironia terna e complacente perante os vícios humanos comuns; uma crítica violenta da opressão política e do fanatismo ideológico, uma atenção inebriada ao pulsar do torrão campestre, tanto como à vibração sensual do corpo no ser humano"


( Literatura Portuguesa, Instituto Camões)


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