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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, maio 30, 2005

6:45 da tarde - Adolfo Casais Monteiro



Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda
nações com seu riso franco
abertas de par em par!

Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?

Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livre modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!

Europa, ó mundo a criar

Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal!
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!

Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?

Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?

Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?

Europa, tu virás só quando entre nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara.
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres dirigindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!

Adolfo Casais Monteiro*
" Europa", 1945

(N. Porto, 4/7/1908; F. São Paulo, 24/7/1972)

*Poeta e ensaísta, publicou, em 1929, "Confusão", primeiro livro de poemas, e em 1933, "Considerações Pessoais", colectânea dos primeiros ensaios críticos. Em 1931 passou a integrar a direcção da revista "Presença". Em 1933, publicou com o poeta brasileiro Ribeiro Couto a colectânea poética "Correspondência de Família", primeiro marco de uma estreita cooperação com os principais intelectuais brasileiros do seu tempo. Em 1937, foi demitido do cargo de professor pela ditadura salazarista. Em 1939, mudou-se para Lisboa, a fim de ganhar a vida como escritor. Preso várias vezes, entre os seus muitos livros de poesia há dois que dão especial vazão à sua revolta política: "Canto da Nossa Agonia" (1942) e "Europa" (1946). Neste mesmo ano tornou-se director da revista "Mundo Literário", depois de ter publicado volumes de ensaios sobre Ribeiro Couto, Jules Supervielle e Manuel Bandeira.
Em 1954 foi para o Brasil, e a breve trecho o activo papel que desempenhou na oposição no exílio tornou impossível o seu regresso. Publicou crítica literária e outras formas de ensaio em numerosas revistas e jornais. Foi professor de literatura em universidades do Rio de Janeiro, Bahia e finalmente São Paulo, onde em Araraquara ocupou, a partir de 1962, a cátedra de Teoria da Literatura.
Em 1969, as suas "Poesias Completas" incluíram o conjunto inédito dos poemas escritos no exílio, com o expressivo título de "O Estrangeiro Definitivo".


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