<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d12697588\x26blogName\x3dPalavrArdente\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://palavrardente.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://palavrardente.blogspot.com/\x26vt\x3d9091287933922860388', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
PalavrArdente

SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

sexta-feira, maio 20, 2005

2:46 da tarde -




(...)
Havia um homem, um Espanhol, um guitarrista que viajou muito tempo com Paganini: era antes da época da grande glória oficial de Paganini.
Faziam ambos a grande vida vagabunda dos boémios, dos músicos ambulantes, das pessoas sem família, sem pátria. Ambos, violino e guitarra, davam concertos por onde passavam. Erraram assim por diversos países. O meu Espanhol tinha um talento tal, que podia dizer como Orfeu: " Eu sou o mestre da natureza".
Por toda a parte por onde passava, arranhando as suas cordas, e fazendo-as harmoniosamente saltar com o polegar, tinha a certeza de ser seguido por uma multidão. Com tal segredo nunca se morre de fome. Seguiam-no como a Jesus Cristo. Como se havia de recusar jantar e hospitalidade ao homem, ao génio, ao feiticeiro, que fez cantar à nossa alma as mais belas árias, as mais secretas, as mais desconhecidas, as mais misteriosas! Garantiram-me que este homem , de um instrumento, que só produz sons sucessivos, obtinha facilmente sons contínuos. Paganini levava a bolsa, tinha a gerência do fundo social, o que não supreenderá ninguém.
A caixa viajava com a pessoa do administrador; ora estava alta, ora estava baixa, hoje nas botas, amanhã entre duas costuras da veste. Quando o guitarrista, que era grande bebedor, perguntava como ia a situação financeira, Paganini respondia que não havia nada, ou pelo menos quase nada, porque Paganini era como os velhos, que têm sempre medo de vir a faltar-lhes. O Espanhol acreditava ou fingia acreditar, e com os olhos fitos no horizonte da estrada, zangarreava e atormentava a sua inseparável companheira. Paganini caminhava pelo outro lado da estrada. Era uma convenção recíproca, feita para não se incomodarem um ao outro. Assim cada um estudava e trabalhava enquanto caminhava.
Depois chegados a um sítio que oferecia algumas possibilidades de receita, um dos dois tocava uma das suas composições, e o outro improvisava ao lado uma variação, um acompanhamento, um baixo. O que havia de prazer e de alegria nesta vida de trovador, ninguém o saberá." (...)

Charles Baudelaire
"Os Paraísos Artificiais" pag, 190/191
editorial estampa


Enviar um comentário

© PalavrArdente 2005 - Powered for Blogger by Blogger Templates



Free Hit Counter