<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d12697588\x26blogName\x3dPalavrArdente\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://palavrardente.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://palavrardente.blogspot.com/\x26vt\x3d9091287933922860388', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
PalavrArdente

SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, maio 23, 2005

7:26 da tarde - Dever do Poeta





Àquele que não escuta o mar nesta manhã
de sexta-feira, e encarcerado está dentro de algo,
casa, escritório, fábrica ou mulher,
ou rua ou mina ou árido calabouço...
a esse acorro eu e sem falar nem ver
chego e abro a porta da clausura
e ao abri-la um vago borborinho ouve-se dentro,
um longo trovão desfeito encorpora-se
ao peso do planeta e da espuma,
surgem os rios rumorosos do oceano,
vibra veloz no ser rosal a estrela
e o mar palpita, fenece e continua.

Assim pelo destino conduzido
devo sem descanso ouvir e conservar
o lamento marinho na minha consciência,
devo sentir a pancada violenta da água
e recolhê-la numa taça eterna
para que onde esteja o encarcerado,
aonde sofra o castigo do Outono
esteja eu presente com uma onda errante,
circule eu através das janelas
e ao ouvir-me o olhar levante
dizendo: como chegarei junto do oceano?
Então sem dizer nada transmitirei
os ecos rutilantes da onda,
uma derrocada de espuma e areais,
um sussuro de sal que se afasta,
o grito cinzento da ave do litoral.

E assim, a liberdade e o mar responderão
por mim ao sombrio coração.

Pablo Neruda

*
("plenos poderes"
publicações dom quixote)


*Pablo Neruda nasceu na cidade chilena de Parral em 12 de julho de 1904.Morre em Santiago em 23 de setembro de 1973.





Enviar um comentário

© PalavrArdente 2005 - Powered for Blogger by Blogger Templates



Free Hit Counter