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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quinta-feira, junho 09, 2005

4:12 da tarde - Ah, Um soneto.../Escrito num livro abandonado em viagem/...

Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar
E que a vai relembrando pouco a pouco
Em casa a passear, a passear...
No movimento ( eu mesmo me desloco
Nesta cadeira, só de o imaginar )
O mar abandonado fica em foco
Nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas- esta é boa! - era do coração
Que eu falava...e onde diabo estou eu agora
Com almirante em vez de sensação?...


*

Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem do passado nem do futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram.
*
Lisboa com sua casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
de várias cores,
Lisboa com suas casas de várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra ( porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho ),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa de suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos, Ficções de Interlúdio


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