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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quinta-feira, junho 09, 2005

12:38 da tarde - António Aleixo



....

À gente que não precisa,
às pessoas importantes...
às vezes os sem camisa
dizem coisas interessantes.

Os poetas e os heróis,
que entre nós são destacados,
são tal qual os rouxinóis:
não precisam cultivados.

Num arranco de loucura,
filha desta confusão,
vai todo o mundo à procura
daquilo que tem na mão.

Direi mal, daqui não saio.
apenas canto o que é meu,
não sou como o papagaio
que só diz o que aprendeu.

Bate a fome à porta deles
e lá é mais mal recebida
do que na casa daqueles
que a sofreram toda a vida.

Quantas sedas aí vão,
quantos colarinhos brancos,
são pedacinhos de pão
roubados aos pobrezinhos!

Aqui não valho um vintém,
longe daqui sou dif'rente;
se vou onde vai alguém
às vezes pareço gente.

Eu já não sei o que faça
p'ra juntar algum dinheiro;
se se vendesse a desgraça
já hoje eu era banqueiro.

Tu não me emprestas dinheiro
porque não tenho um vintém;
mas se to pede um banqueiro
quer vinte, ofereces-lhe cem.

Um homem quando tem notas,
pode parecer perverso:
todos lhe engraxam as botas
- se as não têm, anda descalço.

Nas quadras que a gente vê
quase sempre o mais bonito
está guardado para quem lê
o que lá não 'stá escrito.

Mentes, mas nem caso faço
das piadas que me atiras,
porque no mundo há espaço
p'ra biliões de mentiras.
....

És um rapaz instruído,
és um doutor; em resumo;
és um limão que espremido,
não dá caroço nem sumo.
.....

Tem a música o poder
de tornar o homem f'liz;
nem há quem saiba dizer
tanto quanto ela nos diz.



António Aleixo
(1899-1949)

in " Este livro que vos deixo"
pag 39 a 42
Edição de Vitalino M. Aleixo( filho do poeta)


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