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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quarta-feira, junho 01, 2005

12:10 da tarde -

À beira da água


Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.


Eugénio de Andrade

(Os Sulcos da Sede,
Fundação Eugénio de Andrade, 2ª ed, Porto, 2001)


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