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PalavrArdente

SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quarta-feira, junho 01, 2005

1:03 da tarde -



(...)
Não sou eu! Não sou eu! Juro! Não me matem...
Asneiras, o barulho cansado do ar cansado nos peitos soprando com força da corrida, a raiva a bater, o medo, tudo sai, aproveitando na esquiva que a noite dá e rebenta o velho negro encostado na parede, se deixando escorregar, pisado no chão.
Na hora que Dina correu na confusão não pensou ainda nada. Sentiu só o bicho dentro dela a roer, parecido quando deitava no serviço com os tropas e os outros, só raiva é que saía no coração, trepava na cabeça, e se atirou no meio do monte de pessoas.
As unhas, os socos, os pontapés da mulher espantaram- um bocado, mas num instante mesmo, as mãos fortes lhe agarraram, brutas, e areia vermelha lhe entrou na boca, nos olhos sentiu o corpo pisado, muitos pés em cima dela, ainda o chorar do velho, as gargalhadas e, quando a cabeça parecia lhe ia fugir, um barulho de pés a correr e chicotadas de tiros outra vez: na rua vermelha do musseque, buzinando raivoso, o carro corria com seu grito atrás:
-Polícia!
Fechou todas as janelas e portas, amarrou raivas nos corações, pôs choros de lágrimas nos olhos. Só mesmo Dina é que ficou, levantando, sacudindo na poeira, no barro da boca e dos olhos, com essa dor grande que lhe dava alegria no mesmo tempo, a bater no peito pisado pelos sapatos. O carro limpou o escuro com os faróis e, na luz amarela que varreu o chão, o velho negro nasceu, os dentes arreganhados para o céu, a boca torcida para trás despejando sangue em cima dos cabelos brancos e a camisa aberta, mostrando o vermelho a correr no buraco do peito com a picareta sem cabo, espetada e suja..
Maluca de dor, xinguilando, a berrar, dentes para morder, Dina correu nos polícias, pelejando insultando:- Mataram-lhe! Eu vi, mataram-lhe! Filhos da puta!
Então, em cima dos seus olhos, uma noite mais negra que a noite que corria lhe tapou nas estrelas e o cassetete arrancou-lhe para longe, para o tempo onde nada lembra. (...)

José Luandino Vieira*
(" Dina"( 28-06-62) in Vidas Novas)



*José Vieira Mateus da Graça nasceu em Vila Nova de Ourém, Portugal, em 4 de Maio de 1935. Foi para Angola aos três anos de idade na companhia de seus pais que eram colonos portugueses. Foi preso em 1959. Voltou a ser preso em 1961 e condenado a 14 anos de reclusão. Solto em 1972, fixou residência em Lisboa, onde trabalhou numa editora. Regressou a Luanda em 1975. Cargos diretivos no MPLA. Presidente da Radiotelevisão Popular de Angola. Obra de ficção muito premiada. As suas poesias estão dispersas por publicações periódicas e representadas em várias antologias, das quais uma - No Reino de Caliban - reúne toda a sua obra poética.


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