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PalavrArdente

SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

sábado, junho 25, 2005

2:50 da tarde -

(...)
A pintura afundar-se-á. A fotografia despojou-a de muitos dos seus atractivos. A futilidade ou a idiotice despojou-a de quase tudo o resto. O que sobrou tem sido saqueado por coleccionadores americanos. Um grande quadro é sinal de algo que um americano rico deseja comprar porque outras pessoas gostariam de o fazer, se pudessem. Deste modo, os quadros são postos em paralelo, não com poemas ou romances, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu passa a assemelhar-se , não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. A valorização da pintura torna-se não paralela à valorização da literatura, mas à valorização das edições. A crítica da arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
A arquitectura torna-se um aspecto secundário da engenharia civil.
Só a música e a literatura ficam.
A literatura é a forma intelectual de dispensar todas as artes. Um poema, que é um quadro musical de ideias, dá-nos a liberdade, através da compreensão que dele tivermos, de ver e ouvir o que queremos. Todas as estátuas e pinturas, todas as canções e sinfonias, são tirânicas em comparação com isto. Num poema, temos de compreender o que o poeta pretende, mas podemos sentir o que quisermos.
Um passeio por um museu torna-se, não uma contribuição para a cultura, mas um estímulo para a inveja, como olhar de cima dos nossos pés cansados para o automóvel de um homem rico.

Fernando Pessoa


in " Heróstrato E A Busca Da Imortalidade", *37, pag. 84,85
edição assírio & alvim
trad. Manuela Rocha


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