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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quinta-feira, junho 02, 2005

9:39 da tarde - Canção de uma Sombra





Ah! se não fosse a névoa da manhã
E a velhinha janela, onde me vou
Debruçar para ouvir a voz das coisas,
- Eu não era o que sou.

Se não fosse esta fonte que chorava
E como nós cantava, e que secou...
E este sol, que eu comungo de joelhos,
- Eu não era o que sou.

Ah! se não fosse este luar, que chama
Os espectros à vida, e se infiltrou,
Como fluido mágico, em meu ser,
- Eu não era o que sou.

E, se a estrela da tarde não brilhasse,
E, se não fosse o vento, que embalou
Meu coração e as nuvens, nos meus braços,
- Eu não era o que sou.

Ah! se não fosse a noite misteriosa
Que meus olhos de sombras povoou,
E de vozes sombrias meus ouvidos,
- Eu não era o que sou.

Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as asas e sobe em claro voo;
Sem estes ermos-montes e arvoredos,
- Eu não era o que sou.


Teixeira de Pascoaes (1867-1952)
in As Sombras.

Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, que adoptou o pseudónimo literário de Teixeira de Pascoaes, nasceu em Amarante em 1877 e aí faleceu em 1952.Fez estudos secundários em Amarante, tendo publicado em 1895, Embriões. Estudou Direito em Coimbra, onde se .licenciou em 1901.Durante os seus estudos universitário publicou Bello (1ªparte, 1896; 2ªparte, 1897), Sempre (1898) e Terra Proibida (1899). Após a conclusão do seu curso exerceu a advocacia em Amarante e no Porto; posteriormente, foi juiz substituto em Amarante, mas, dez anos depois, em 1913, deu por concluída a sua carreira jurídica. Entretanto, entre 1912 e 1916 dirigiu A Águia, revista e porta-voz do movimento da Renascença Portuguesa. Aí divulgou as suas teorias sobre o Saudosismo que, mais tarde, em 1915, retomaria no volume Arte de Ser Português e noutros volumes de ensaios.A sua vida continuou no seu habitat natural, a Serra do Marão, em recolhimento contemplativo, recebendo amigos e admiradores e produzindo a sua vasta obra.


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