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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

domingo, junho 12, 2005

3:40 da tarde - Canto e lamentação da cidade ocupada


foto de Kay Denton,American, b.1939



"Qué la vida que vivimos
en estos anos de morte"
Nicolas Guillén


1.


Ei-la a cidade envolta em dor e bruma
Ei-la na escuridão serena resistindo
Hierática Estranha Sem medida
Maior do que a tortura ou assassínio
Ei-la virando-se na cama
Ei-la em trajes menores Ei-la furtiva
seminua sensual e no entanto pura
Noiva e mãe de três filhos Namorada
e prostituta Virgem desamparada
e mundana infiel Corpo solar desejo
amor logro bordel soluço de suicida

Ei-la capaz de tudo Ei-la ela mesma
em praças ruas becos e monumentos

Ei-la ocupada inerte desventrada
com música de tiros e chicote

Ei-la Santa-Maria -Ateia imaculada
ignóbil e miraculosamente erecta
branca quase feliz quase feliz

Ei-la resplandecente de amor teoria
e prática nocturna mistério acontecido
doce havitável ah sobretudo habitável
vestido acolhedor até à noite
a voz distante e amada ao telefone

Ei-la que fica e sobrevive
e reflecte neons nos lagos dos jardins
mesmo quando partimos e as lágrimas inúteis
roçam de espanto a solidão crescendo

Ei-la a cidade prometida
esperamos por ela tanto tempo
que tememos o seu olhar exacto
flor da raiz que somos
meu amor.


...


Daniel Filipe*
em " A invenção do amor e outros poemas"
Editorial Presença)

*Em 1925 nasceu Daniel Damásio Ascensão Filipe na ilha da Boavista, em Cabo Verde. Ainda criança, veio para Portugal onde fez os estudos liceais. Poeta, foi colaborador nas revistas Seara Nova e Távola Redonda, entre outras publicações literárias. Combateu a ditadura salazarista, sendo perseguido e torturado pela PIDE. Num curto espaço de tempo, a sua poesia evoluiu desde a temática africana aos valores neo-realistas e a um intimismo original que versa o indivíduo e a cidade, o amor e a solidão. Faleceu em 1964 em Cabo Verde.


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