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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

sexta-feira, junho 10, 2005

7:06 da tarde -


Coimbra no séc. XVI




Eu cantei já, e agora vou chorando
O tempo que cantei tão confiado;
Parece que no canto já passado
Se estavam minhas lágrimas criando.
Cantei; mas se alguém pergunta quando,
Não sei; que também fui nisso enganado.
É tão triste este meu presente estado,
Que o passado por ledo estou julgando.
Fizeram-me cantar, manhosamente,
Contentamentos não, mas confianças;
Cantava, mas já era ao som dos ferros.
De quem me queixarei, que tudo mente?
Mas eu que culpa ponho às esperanças,
Onde a fortuna injusta é mais do que os erros?

Luis Vaz de Camões


(in " Lírica", pag.201
edição circulo de leitores)


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