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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quinta-feira, junho 09, 2005

6:14 da tarde - D. João Segundo/Olhando o Tejo/Soneto

Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra -
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu,
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.
*
Rebanhos além monte ela guardava,
Seu canto me vem no vento trazido,
E uma ânsia pela sua mágoa
Enche o que em é definido.
Lagos de espírito murados de rochas
Dormem no vazio da sua toada.
A sua nudez ali se demora
A reflectir na sombra salpicada.
Mas o que há de real em tudo isto
É a minha alma, a tarde, o cais somente
E, como sombra dos meus sonhos disto,
A dor em mim de nova dor se sente.
Mas o que é ela que traz o pesar?
E o que há nela que o pesar desvanece?
Que rasto de amor é este bem-estar
Que segue o seu trilho, se desaparece.
Lírios há entre corações e mãos.
A vida é pequena ao pé do luar.
Mas movam-se um pouco as árvores que estão
E logo se espera que ela vá voltar.
*
Pudesse o que penso exprimir e dizer
Cada pensamento oculto e silente,
Levar meu sentir moldado na mente
A ser natural perante o viver;
Pudesse a alma verter, confessar
Os segredos íntimos em seu ser;
Grande eu seria, mas não pude aprender
Uma língua bem, que expresse o pesar.
Assim, dia e noite novo sussurrar,
E noite e dia sussurros que vão...
Oh! A palavra ou frase em que atirar
O que penso e sinto, acordando então
O mundo; mas, mudo, não sei cantar,
Mudo com as nuvens antes do trovão.
Fernando Pessoa, nasceu no dia 13 de Junho de 1888 e faleceu no dia 30 de Novembro de 1935.
"Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus."
Alberto Caeiro ( um dos heterónimos de Fernando Pessoa )


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