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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, junho 13, 2005

5:36 da tarde -


Desenho de Álvaro Cunhal




Quem me dera

(Alberto Caieiro heterônimo de Fernando Pessoa)

Quem me dera
que eu fosse o pó da estrada

E que os pés dos pobres
me estivessem pisando...
Quem me dera
que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras
estivessem à minha beira...
Quem me dera
que eu fosse os choupos
à margem do rio

E tivesse só o céu por cima
e a água por baixo...
Quem me dera
que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse
e me estimasse...
Antes isso que ser
o que atravessa a vida

Olhando para trás de si
e tendo pena...

Alberto Caieiro


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