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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, junho 13, 2005

4:36 da tarde - Elegia de Coimbra/Teixeira de Pascoaes

...Para Coimbra parti, depois, em certo dia
De escurecido Inverno,
Doente de saudade e de melancolia...
E, numa pobrezinha sepultura,
Deixei magoada rosa de ternura,
A desfolhar-se num adeus eterno...
Em mim, já despontava, em ermo sonho absorto,
este espectro que sou e me permite ver,
Em vida, à luz do Sol, o que hei-de ser,
Em sombra, à luz do luar, depois de morto,
Em mim, quem se comove e canta, num delírio,
Na palidez das mãos, trazendo um roxo lírio,
A trança desprendida e, sobre o branco rosto,
Mais sombras e orações que as horas do sol posto?
Ah, quem reza comigo à tarde e me abençoa?
Quem me fala de amor e me perdoa?
Quem é que nos meus sonhos me revela
Misteriosa estrela:
Alegria de luz que me trespassa
E, dentro em mim, acende etérea graça,
Um rasto de oração por Deus ouvida,
Um luar que me beija a alma adormecida?
Quem, nos meus olhos, põe uns olhos de piedade?
És tu, Amor, Espectro, Divindade!
Criado em altos sítios de granito,
Na vizinhança agreste do Infinito,
Demorei-me, bem trite, a contemplar
Uma velha cidade, em mármor' tumular,
Numa paisagem doce e anémica, esboçando
Sorrisos de verdura, junto de água...
O mais é medieva, etérea Mágoa
Em coloridos campos alastrando...
Ora, subindo em íngremes colinas,
Que têm gestos velhinhos de ruínas,
Ermos pinhais saudosos...
Ora, descendo em vales penumbrosos,
Elegias de Deus...
E, filho duma Estrela, o Rio legendário,
No crepúsculo enfermo, é líquido sudário
Com a efígie dramática dos céus.

E em todo o vago ambiente, à luz da aurora,
Na sombra da tardinha,
É vivo, como outrora,
O fantasma de Inês vestida de Rainha.
Sobre o Mondego e as margens florescidas,
é névoa que flutua...
De noite, à luz da Lua,
Nos ermos olivedos,
É zéfiro abatendo as asas falecidas,
Vulto esvaído em murmúrios segredos...
Espectro desgrenhado,
Em gemidos de louco sentimento,
Nas ruínas, à chuva, dum convento,
Já quase subterrado...
E nas tardes de Outubro,
Quando o poente, macerado e rubro,
Nos salgueiros do rio,
Põe gangrenas de morte e roxos tons de frio,
- Vê-se o enterro de Inês, fantástico, passar!
Duas filas sem fim de luzes amarelas,
E os sinos, que há no mundo, aos ventos, a dobrar
E, entre o luto do povo, o choro das donzelas!
Coimbra é a lenda, o luar, a evocação...
A tristeza, medieva, a sombra dos pinhais;
O canto pastoril, Camões, a solidão,
A elegia da terra, em misteriosos ais...
É João de Deus e Antero:
O infinito mimo e o grande desespero!
(...)
Antologia da Poesia Moderna sobre Coimbra, in "Cancioneirinho de Coimbra",
de Eugénio de Andrade


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