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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

domingo, junho 12, 2005

4:46 da tarde - Escrever


(fotografia do arquivo do Diário de Notícias)



Se eu pudesse havia de... de...
transformar as palavras em clava!
havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressoante!
Sem música, como um gesto,
uma pancada brusca e sóbria.
Para quê,
mas para quê todo o artifício
da composição sintáctica e métrica,
este arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras: pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo!
Vejo, admiro, desejo?
Ou não... ou sim.
E, como isto continuando...

E gostava
para as infinitamente delicadas coisas do espírito
(quais? mas quais?)
em oposição com braveza
do jogo da pedrada,
da pontaria às coisas certas e negadas,
gostava...
de escrever com um fio de água!
um fio que nada traçasse...
fino e sem cor...medroso...
Ó infinitamente delicadas coisas do espírito...
Amor que se não tem,
desejo dispersivo,
sofrimento indefinido,
ideia incontornada,
apreços, gostos fugitivos...
Ai o fio da água,
o próprio fio da água poderia
sobre vós passar, transparentemente...
ou seguir-vos, humilde e tranquilo?

Irene Lisboa*


" Antologia pessoal da poesia portuguesa"
pag, 386, 387. ( Eugénio de Andrade)
edição campo das letras


*Irene do Céu Vieira Lisboa (1892-1958) nasceu no Casal da Murzinheira, Arruda dos Vinhos, e faleceu em Lisboa. Formou-se pela EScola Normal Primária de Lisboa e fez estudos de especialização pedagógica em Genebra, tendo contactou com Piaget. Era amiga de José Rodrigues Miguéis. Obras poéticas: Um dia e outro dia (1936), Outono Havias de Vir (1937), Versos Amargos (inéditos incluídos no vol. I das Obras Completas, Presença, 1991). Várias: Solidão (1939), Treze contarelos (1926), Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (1955), O pouco e o muito (1956), Voltar atrás para quê? (1956), Queres ouvir? Eu conto (1958), Título qualquer serve (1958), Crónicas da Serra (1962), Solidão II (1974), Esta Cidade! (1942), Um dia e outro dia – Diário de uma mulher (1936), Título qualquer serve para novelas e noveletas (1958), Crónicas da Serra (1958).*


Anonymous Anónimo said...

Mais uma poetisa para o meu acervo...
Bs.
Francy  


Anonymous Anónimo said...

origem: Francy
http://www.pantarhei2010.blogger.com.br  


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