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sexta-feira, junho 10, 2005

3:46 da tarde - A Luís de Camões


«A Morte de Camões». Desenho de Domingos Sequeira
( Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)




Sem lástima e sem ira o tempo arromba
As heróicas espadas.
Pobre e triste
À tua pátria nostálgica voltaste,
Ó capitão, para nela morrer
E com ela. No mágico deserto
Tinha-se a flor de Portugal perdido
E o áspero espanhol, antes vencido,
Ameaçava o seu costado aberto.
Quero saber se aquém da ribeira
Última compreendeste humildemente
Que tudo o perdido, o Ocidente
E o Oriente, o aço e a bandeira,
Perduraria (alheio a toda a humana
Mutação) na tua Eneida lusitana.

Jorge Luis Borges

«O Fazedor». Lisboa, Difel, 1985


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