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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

terça-feira, junho 14, 2005

1:10 da tarde - O Crepúsculo da Manhã

Tocava o despertar nos pátios das casernas
E o vento da manhã soprava nas lanternas.
Era a hora em que enxames de sonhos violentos
Torcem nos travesseiros os adolescentes;
Em que, como um sangrento olho que palpita,
Um candeeiro mancha de vermelho o dia;
E em que, sob o pesado e esquivo corpo, a alma
Reproduz esse jogo entre as luzes rivais.
Como um rosto que chora e que as brisas enxugam,
Vibra o ar no arrepio de mil coisas em fuga
E as mulheres já não amam e os homens não escrevem.
Aqui e além, agora, as casas já fumegam.
Com as bocas abertas e as pálpebras lívidas,
O seu estúpido sono as rameiras dormiam;
Coitadas, arrastando os seios frios e magros,
Sempre nos seus tições e nos dedos sopravam.
Era a hora em que por entre o frio e a mesquinhez
Se agravavam nos partos as dores das mulheres;
Num lamento quebrado por sangue espumoso,
Longe, o galo a cantar rasgava o ar brumoso;
Um mar de nevoeiros banahava edifícios
E os agonizantes, dentro dos hospícios,
O estertor derradeiro a custo soluçavam.
Já cansados da farra, os devassos voltavam.
A tiritante aurora, em trajo rosa e verde,
Sobre o Sena deserto ia avançando lenta
E o sombrio Paris, ainda a esfregar os olhos,
Empunhava as alfaias, velho laborioso.
Charles Baudelaire, "As Flores do Mal"
( Tradução de Fernando Pinto do Amaral )


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