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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

sexta-feira, junho 17, 2005

1:24 da tarde - Vento


A casa esteve toda a noite lá longe, no mar,
o bosque quebrando entre a escuridão, os montes troando,
o vento fustigando os campos sob as janelas,
também ele escuro nos seus volteios, cego e molhado,

até ao nascer do dia. Então, sob um céu alaranjado,
viam-se nesses montes lugares novos, o vento trazia
uma luz cortante, luminosidade negra e esmeralda
a ondular como se vista pelas lentes de uns olhos loucos.

Pelo meio-dia trepei por uma das paredes da casa
até à porta do depósito de carvão. Ousei olhar mais para cima:
por entre a força do vento que amolgava os meus olhos
os montes pareciam tendas a ressoar, retesadas nas cordas,

os campos estremeciam e via-se um esgar na linha do horizonte,
na iminência de rebentar e desaparecer com mais uma chicotada:
o vento arrancava dali uma pega e um alcatraz
de cauda preta a dobrar-se devagar como uma barra de ferro. A casa

retinia como se fosse uma fina taça verde prestes
a estilhaçar-se a qualquer momento. Enfiados
nas cadeiras frente ao lume, aperta-se-nos
o coração e não há livro ou pensamento que nos distraia nem somos

capazes de nos distrair uns com os Outros. Olhamos o fogo a arder
e sentimos tremer os alicerces da casa,mas permanecemos sentados
vendo a janela a abanar, quase a cair para dentro,
ouvindo o grito das pedras sob o horizonte.

Ted Hughes*

"O Fazer da Poesia"
trad. de Helder Moura Pereira


*Ted Hughes (1930-98) nasceu em Yorkshire, no interior da Inglaterra. Publicou mais de vinte livros de poesia e, como prosador, voltou-se principalmente para o público infanto-juvenil. Ganhou alguns dos prêmios literários mais importantes da Europa, como o Whitbread. Em 1984, recebeu o título de Poeta Laureado do Reino Unido.


Anonymous mariagomes said...

desculpa Ted, mas prefiro a escrita de Sylvia Plath!  


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