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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

domingo, julho 24, 2005

10:04 da tarde - ... Carta/Poema a Eugénio de Andrade....

Eugénio


quando já o tempo não agita a tua ânsia

de voo para um desconhecido de carne a vaentura

mas é sobre a pele um ácido mel

coagulando

nas rugas do amor desiludido ( já sem mãos

confinando aos olhos como grito na boca pregada)

- quando a àgua outrora límpida e dura é sempre

doutro rio e não há torre

que possa erguer-se nesta estagnação de charco

porque os mapas que querias evitar têm caminhos

entre desertos e ruínas - quando

sobre cabedelos onde o rio penetra o mar

te roça um amor adolescente e se perde

ignorando que nascentes de alegria

se demoram ainda em teus dedos na paciente

trama do desejo - quando uma voz de criança

traça pequenos círculos de luz no Jardim de S. Lázaro

e na sombra de folhas e veias

canta só eu

era o filho que me restava - Eugénio sentes

então a poeira tecendo no fundo de cada minuto

a vitória absurda do silêncio

- que esperança

pode esconder-se ainda no logro das palavras?

de nada servem as lembranças

se a àgua que buscavas é solidão de olhares

que não encontram um corpo se o fogo

se perdeu dos cardos eo solar impudor dos espinhos

não pode ferir ( que pastores

de outras margens ou marinheiros de outros mares poderiam

deixar marcas de inocência no desespero

dos anjos distraídos que te invadem as ruas?) repara

Eugénio na desdenhosa humildade de um cão que se deixa

morrer já sem dono - se o dono é o amor

é a sabedoria na fuga que nos lega ou uma áspera liberdade?

as palavras pesam eo ritmo obscuro dos simbolos

às vezes oprime

Até desocultar no sangue uma impensada

virgindade - mas no corpo está ausente

e calada a enredada melodia de músculos e alentos

que no verso fixamos quando já está perdida

( estava no desejo a poesia - como

matá-la? ) apenas

no amor somos mais sós que na solidão

Post scriptum :

- Agora a relva é branca como a loucura -

pássaros cegos batem contra os muros

e os rapazes matam-nos sem um sorriso sequer

( é o mundo que morre ou apenas um homem

no labirinto sem saída?) se o tempo

não tivesse esta fúria de nos correr em cima

se pudesse deter-se a descansar embalado

por esta ternura abandonada nas esquinas

da nossa vida talvez o fluir do mar

e dos dias

pudesse deixar um silêncio cheio de palavras

( o sulco luminoso que tem início e fim num corpo)

- mas não há incêndio no futuro para quem tudo queimou.

Carlo Vittorio Cattaneo in Três Solidões - " Cartas - poemas para Mécia de Sena, Eugénio de Andrade e Herberto Helder- Contexto Editora, Roma 1981


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