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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, julho 04, 2005

12:37 da tarde - " A E..."


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Mas veja você ainda todos os modernos franceses, os grandes pensadores - Renan, Flaubert e mesmo Dumas filho. Escrevem com meia dúzia de palavras. Flaubert catava dos seus livros todos os termos que não pudessem ser usados na conversa pelo criado: daí vem ele ter produzido uma prosa imortal. E a razão é que só os termos simples, usuais, banais, correspondendo às coisas, ao sentimento, à modalidade simples, não envelhecem. O homem, mentalmente, pensa em resumo e com simplicidade, nos termos mais banais e usuais. Termos complicados, são já um esforço de literatura - e quanto menos literatura se puser numa obra de arte, mais ela durará, por isso mesmo que a linguagem literária envelhece e só a humanidade perdura.
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Você decerto provou a riqueza do léxico e agradou a dois ou três gramáticos - mas nenhum rapaz, nenhuma mulher, nenhum homem ficou compreendendo como era o seu personagem. E como ninguém tem paciência para folhear o dicionário, você ficou incompreendido - e foi como se não escrevesse! Nunca me esqueceu o que um dia me disse Chardron de um romance assim escrito. Perguntei-lhe se a coisa se vendia; ele teve um gesto de amargura: - Pas du tout! il parait que, pour comprendre ça, il faut acheter aussi un diccionaire, et ça revient trop cher!
Além da riqueza do léxico, nos termos, há a riqueza do léxico no desenvolvimento da ideia, isto é, a apresentação da ideia sob uma forma copiosa e folhuda. Isto é ainda mais fatal. A coisa mais simples, e que na sua simplicidade seria bela, fica logo tão sobrecarregada de ornatos, de franjas, de lantejoulas e de penduricalhos, que me lembra sempre certas imagens de santas italianas, que sob a abundância dos efeitos, dos ex-votos, dos colares, das coisas vagas que sobre elas reluzem, apresentam à adoração dos fiéis, não uma santa, mas um cabide de adelo!
O escritor do léxico abundante não pode dizer que " Elvira chorou" sem complicar esse acto tão simples, com tantas incidentais sobre o sabor das lágrimas, o fel ou o júbilo que elas continham, e os anjos que as recolheram nas mãos, e as pérolas em que elas se transformaram, e a pouca atenção que o universo lhes deus, e a perfídia do homem, e a infâmia do brasileiro - que o leitor aturdido, escassamente fica sabendo se Elvira estava chorando, ou rezando as contas, ou cantando ao piano a Traviata!
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Eça de Queirós*
"A E.." ( Cartas inéditas a Fradique Mendes)
pag,65,66,67
obras completas de eça de queirós.
edit. Planeta de Agostini, S.A.

*É considerado o grande romancista da literatura portuguesa, quer pela sua amplidão temática (dominada pela crítica da sociedade contemporânea e pelos desmandos do amor sensual, ex. O Crime do Padre Amaro, 1875, e O Primo Basílio, 1878), quer pela capacidade narrativa (manifestada na orgânica realista e decadente de Os Maias, 1888), quer pelo rigor e criatividade do seu estilo impressionista (que culmina na prosa animista de A Cidade e as Serras, 1901).
em Centro Virtual Camões


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