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sábado, julho 09, 2005

9:18 da tarde - Floresta


(Sophia de Mello Breyner, por Arpad Szenes )


Entre o terror e a noite caminhei
Não em redor das coisas mas subindo
Através do calor das suas veias
Não em redor das coisas mas morrendo
Transfigurada em tudo quanto amei.

Entre o luar e a sombra caminhei:
Era ali a minha alma, cada flor
- cega, secreta e doce como estrelas –
Quando a tocava nela me tornei.

E as árvores abriram os seus ramos
Os seus ramos enormes e convexos
E no estranho brilhar dos seus reflexos
Oscilavam sinais, quebrados ecos
Que no silêncio fantástico beijei.

Sophia de Mello Breyner Andresen

In Obra Poética I,pag. 132
Editorial Caminho


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