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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

quinta-feira, julho 21, 2005

10:24 da tarde - ... a Mécia de Sena...

Mécia

procuro escrever-te dentro de uma noite cercada
(arreganharam-se-me os dentes) pelo frio que trouxe
a Roma um silêncio de neve ao longo das ruas
onde me perde o mar
(com um rosnar cavo na garganta) e pelas caveiras
- um exército quase - de amigos
versados ao assassínio (a rapariga de péssimas leituras
naquele dia o lobo solitário chamava-me) Mécia
também tu conheces o rasgão de alma quando
perdemos alguém ( e não só a morte nos traz lutos definitivos ) sabes das noites
rasgadas pela a ausência enquanto uivo não vem
libertar uma justa loucura mas pesa dentro
e cheio de unhas agarra-se àquele nevoeiro
onde nem o próprio sangue tem luz que possa evocar
sombras fermentes e máscaras

pergunto-te

mulher telúrica mãe de todo o filho sem mãe
onde encontras tu o amor no fundo
deste horror de lembranças? onde enterras as tuas incríveis raízes , não te mata a perda absoluta? encontraste a porta
para que o deserto te consinta
que sejam mortos a viver a tua vida? ( o sono que não chega e os fantasmas negros da ansiedade como
cachos de uvas da infância esperam
que descubramos existir) Mécia eu procuro
palavras irrazoáveis
para falar das mãos ainda pasmadas por um calor
mais confiança na entrega e fogo indefeso de olhares
do corpo carícias intimidades veladas
pelo hábito procuro exprimir o confuso
sentir-se em dois enquanto a solidão corrói
cada minuto na sombra que sobe nos quartos
onde trazemos os nossos gestos inutéis
se falta quem os fixava ao tempo
quase borboletas mortas por amor (aquele cão
branco, aquele cachorro com a mancha preta no focinho na festa de me ser filho
caía a cada degrau- eu era menino
e arrancaram-mo) Mécia
talvez seja orgulho escrever-te palavras quando
nem o próprio sonho pode quebrar-te tão sacudida por dentro
que perscrutas
cheia de ternura qual absurdo intervalo
entre dois nadas
nos é dado viver
é fome
só de enganos não domados este rosnar
que arreganha os dentes ou o júbilo terrível do lobo
sem alegria por ciência da morte? é a violência
do amor , eu creio que nos leva
para além do luto a esquecer as chaves da nossa
fragilidade e os outros equivocando-se vão abater
a suposta fortaleza para deixar nu
um simulacro - não sabem: o covil
( o último ) nos esconde com a antiga paciência
de quem se destrói a cada dia inventando-se um sorriso.

Carlo Vittorio Cattaneo In Três Solidões " Cartas / poemas para Mécia de Sena,Eugénio de Andrade e Herberto Helder " - Contexto Editora


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