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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

terça-feira, julho 12, 2005

4:42 da tarde - O revolver de trazer por casa

Querem fazer de mim o revólver de trazer por casa,
Fizeram já de mim o revólver de trazer por casa,
Aquele que toda a gente, uma ou duas vezes na vida,
Encosta por teatro a um ouvido
Que acaba por se fechar envergonhado.

Um bom revólver domesticado:
Algumas noções de pré-suícídio, mas não mais,
Que a vida está muito cara e a aventura
Nem sempre devolve o barco que lhe mandam.

Quem espera por mim não espera por mim
E talvez me encontre por um acaso distraído.
Mas no meu obsceno mostruário de gestos,
Guardo o mais obsceno
Para quando a ilusão se der...

Alexandre O'Neill

"tomai lá do O'Neill"
edição círculo de leitores


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