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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

domingo, julho 17, 2005

9:13 da tarde - Romance LXI ou Domingos do Alferes

Quando sua mãe sonhava,
como uma simples menina,
já falava nesse nome
DOMINGOS.
Domingos Xavier Fernandes,
que era o nome de seu pai.

Quando a menina dizia,
agora já mulher feita,
DOMINGOS,
- era Domingos da Silva
dos Santos. Outro Domingos.
Domingos com quem casou.

E quando, depois, sorria,
estudando para mãe,
DOMINGOS,
Domingos, - ia dizendo.
E assim ao primeiro filho
Domingos chamou, também.

Esse nome de Domingos
por toda parte o seguira.
DOMINGOS:
na infância ao longe deixada,
na adolescência perdia,
em todo tempo e lugar...

- Ah, Domingos de Abreu Viera,
quem batizará meu filho?
DOMINGOS,
meu amigo poderoso,
as coisas vão levar volta,
quem sabe o que vou passar!

Domingos sobre domingos
nas folhas dos calendários:
Domingos
- para a carta de Silvério,
para a subida à Cachoeira,
para a denúncia vocal...

Ai! de domingo em domingo,
chega ao caminho do Rio.
DOMINGOS!
Encontra Domingos Pires:
"Leva pólvora, Domingos,
que a venderá muito bem!"

Dominogs conta a Dominogs...
(É nome predestinado!)
DOMINGOS!
Já se desenrola a história...
Já vem da Vila à Cidade,
do Viscond ao Vice-Rei...

E, como vê sentinelas
sobre os seus passos rodarem,
DOMINGOS!
Sobe por aquela escada,
envolto na noite escura
como um criminoso vil.

E era a casa de Domingos,
na Rua dos Latoeiros:
DOMINGOS!
Entre as imagens de prata,
banquetas e crucifixos,
Domingos Fernandes Cruz.

Era a casa de Domingos...
e era em dia de domingos...
DOMINGOS!
- último dia de sonho,
que, agora, os domingos todos
são domingos de prisão.

Certa manhã tenebrosa,
no campo de São Domingos,
DOMINGOS!
(Sempre o nome de Domingos)
lhe apontaram a alta forca
de vinte e cinco degraus.

E num dia de domingo
seus quartos foram salgados.
DOMINGOS!
- despachados para os sítios
onde alguém o tinha ouvido
falar de conspiração...

Lá vai cortado em pedaços...
lá vai pela serra acima...
DOMINGOS!
Domingos Rodrigues Neves,
com os oficiais de justiça,
tranquilamente o conduz.


Cecília Meireles In Romanceiro da Inconfidência, Círculo do Livro S.A - 1975


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