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SILVES, outrora capital do Algarve, hoje, capital da Palavra Ardente 

segunda-feira, setembro 05, 2005

7:53 da tarde - "Oferendas para Kianda"



" Oferendas para a Kianda ", acrílico s/ tela, 100x120 cm, 1999, de Jorge Gümbe

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5:38 da tarde - Jorge Gümbe





Jorge Gümbe
nasceu em Dembos, República de Angola, em 1959. Estudou Artes Visuais, na escola Industrial de Luanda, entre 1972 e 1976.
Em 1978 frequentou o Curso de Instrutores de Artes Plásticas, na Secretaria de Estado da Cultura.


Graduou-se em Pintura e Desenho, na escola Nacional de Arte, em Havana, Cuba, no ano de 1981.
Frequentou um estágio de Pedagogia de Arte, Cor e Forma, na KONSTFACKSKOLAN (Instituto Superior de Arte de Estocolmo), Suécia, 1984, e o Curso Internacional sobre Política Cultural e Cultura de Massas no "Institui Für Weiterbildung der DDR" (Instituto de Formação e Qualificação de Dirigentes do Ministério da Cultura da República Democrática Alemã), Berlim, Alemanha, 1987.


Entre 1985 e 1986 foi Secretário Geral da União Nacional de Artistas Plásticos. Foi Director da Escola Média de Artes Plásticas do Instituto Nacional de Formação Artística e Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura e Professor de Desenho Básico Tridimensional e Pintura. Leccionou cursos nocturnos de Desenho e Pintura na União Nacional de Artistas Plásticos.

Membro Fundador da União Nacional de Artistas Plásticos — UNAP.Foi convidado, em 1986, pela Autoridade Alemã de Intercâmbio Académico da República Federal da Alemanha (DAAD) para visitar vários museus, galerias e ter contactos com artistas em, Bona, Colónia, Düsseldorf, Berlim Ocidental, Munique, Aach, Estugarda e Frankfurt e em 1998 pela União Federal de Artistas Jugoslavos, TITOGRADO, onde executa várias obras pictóricas nos seus ateliers.

Decorou as novas instalações do Consulados Geral da República de Angola, em Ponta Negra - República Popular do Congo,1985.

Realizou visitas de estudos a diversos países, tais como: Roménia, Itália, Bulgária, Checoslováquia, União Soviética, Brasil, Congo, Zaire e Senegal.


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5:17 da tarde - Meus Julhos

1. Sou julho,
estou explicado só pelo sol

Meu erro
é procurar um território
apto a nascer

A única geografia
que me aceita é a poesia

Como a chuva
que repousa entre nuvem e terra
me escrevo
na ausência de todas as línguas

2. Me esqueço-me:
só me falto eu
para ficar todo só

3. Antes de nascer
já eu tinha envelhecido tudo

Por isso,
não me espanta
o casal de pedras
nem a árvore que engravidou

Minha doença,
felizmente,
é muito miraculável.

Mia Couto
julho de 1989

in Raiz de Orvalho e Outros Poemas
editorial Caminho,p 67

*Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi director da Agência de Informação de Moçambique, da revista Tempo e do jornal Notícias de Maputo.Tornou-se nestes últimos anos um dos ficcionistas mais conhecidos das literaturas de língua portuguesa. O seu trabalho sobre a língua permite-lhe obter uma grande expressividade, por meio da qual comunica aos leitores todo o drama da vida em Moçambique após a independência. Os seus livros estão traduzidos nomeadamente em francês, inglês, alemão, italiano e espanhol.

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4:01 da tarde - Sotaque Da Terra

Estas pedras
sonham ser casa

sei
porque falo
a língua do chão

nascida
na véspera de mim
minha voz
ficou cativa do mundo,
pegada nas areias do Índico

agora,
ouço em mim
o sotaque da terra

e choro
com as pedras
a demora de subirem ao sol

Mia Couto
Junho 1986

in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

editorial Caminho
p.63

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3:46 da tarde - Protesto Contra A Lentidão das Fontes





Vazaram-se as luas da savana
ossadas pálidas emigraram
dos corpos para o chão
ajoelharam-se os bois
exaustos de carregarem o sol

Escureceram as horas
nomeadas pela fome
extinguiu-se o sangue da terra
esvaiu-se o leite
num coágulo de saudade

Restam troncos
sustentos gemidos
mães oblíquas sonhando migalhas
mendigando crenças
para salvar os filhos já quase terrestres

Quem protege estes meninos
feitos da chuva que não veio?
Que casa lhes havemos de dar?

Amanhã
quando se entornarem os cântaros do céu
as aves voltarão a roçar a lua
e as cigarras de novo espalharão o canto

Mas dos meninos
talhados a golpe de poeira
quantos restarão
para saudar o amanhecer dos frutos?


Mia Couto

Junho de 1984

in Raiz de Orvalho e Outros Poemas
editorial Caminho
p.62

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3:00 da tarde - O primeiro astronauta



O primeiro astronauta
devia ter sido
Silvestre José Nhamposse.

Só ele
teria sacudido os pés
à entrada da Lua

Só ele
teria pedido
com suave delicadeza:
-dá licença?



Mia Couto

Setembro de 1983

Raiz de Orvalho
e Outros Poemas
editorial Caminho
p.82

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